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Lançado primeiro vídeo clip da cantora Arlinda Santos

A empresa Protown Production lançou nesta sexta-feira o primeiro vídeo clip da cantora cabo-verdiana Arlinda Santos, baseado na faixa “Bo corpo nha corpo” do CD “Dharma” lançado recentemente pela artista, nos Estados Unidos.

O vídeo que www.tvisao.com divulga em primeira mão, é obra de Napoleon X, proprietário da Protown Production.

O disco que já está no mercado, foi produzido nos EUA, em colaboração com o sobrinho da cantora, César Lima, conceituado guitarrista radicado na América.

Segundo Arlinda Santos, Dharma é “uma palavra de origem indiana que significa virtude, honra, tudo o que é positivo” mas também “evolução ao nível intelectual, artístico ou cultural”.

O álbum é composto por 10 faixas musicais, e as letras das canções têm um parentesco entre si. Estão ordenadas para apresentar a visão de Arlinda Santos. Ela recorreu à inspiração de outros notórios compositores e artistas como Paulino Vieira, Amândio Cabral, Daniel Spencer, Toy Vieira, Kalú Monteiro e César Lima.

Em entrevista exclusiva aos sites Visaonews.com e Tvisão.com, Arlinda Santos afirmou que quase metade das composições são de sua autoria. “Eu não sou poeta nem compositora, mas vou fazendo as composições para suprir a necessidade e sair da rotina de que já estou habituada”.

Ela disse que a ideia é fazer pequena história do “ciclo de vida” para “não só cantar” mas, sobretudo, por ser “fã de grandes composições, interpretações e músicos”.

Por isso, Santos seleccionou “Cabo Verde poema tropical”, de Paulina Vieira pelo facto do arquipélago ser sua origem e de milhares de pessoas que a levou a escrever; (2) “Retrote”, que poderá caracterizar a sua pessoa ou outra qualquer; (3) “Jornada de vida”, que se aplica a qualquer cabo-verdiano, levando a pensar e escrever sobre a relação com a terra e convivência; (4) “Bo corpo nha corpo” que fala sobre a relação cidadão-terra e é o tema escolhido para um video clip a ser produzido por Protown Productions; (5) “Sofrimento sem fim” que retrata as épocas difíceis como “escravatura, regime colonial, tempo de guerra, até libertação do 25 de Abril e independência”. Surge na segunda metade do álbum o tema “Lua cheia”, fonte de inspiração para muitas revelações, que no entender de Arlinda está “mais no papel mas não tanto na realidade” que faz parte de “Um Céu Azul” do compositor Amândio Cabral. Este, um cabo-verdiano que emigrou e nunca regressou mas continua a apreciar através doutros céus Cabo Verde, combinado com revelações de amor em “Marina”, apresentado de forma acanhada e “My Love is Here”, outra composição de Amândio Cabral, como forma de manifestar a pura paixão e termina com “Amor e tão Sabe”, de Nhela Spencer que expressa esse sentimento de forma universal.

Do elenco de artistas que participam do trabalho, se destacam, além de César Lima (guitarras), Kalú Monteiro (drums e percussão) , Denis Mota (cavaquinho), Vava Medina (piano), Kosei Yamagouchi (flauta e saxofone), Chantal Lima (coros), Jack Santos (percussão) e Armindo Pires (guitarra rítmica).

Santos declarou, ainda, que por ser uma intérprete de músicas lentas preferiu no “Dharma” dar mais alegria sobretudo aos temas de Amândio Cabral para tentar satisfazer a todos.

Percurso

Arlinda Santos começou a cantar aos 13 anos de idade. Ela iniciou a gravar desde os 14, na então rádio Barlavento, até que se deslocou a Portugal para prosseguir estudos e onde fez algumas actuações com grupos informais, e cantava na Universidade de Coimbra. Depois ela se envolveu no movimento para libertação de Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Durante a luta, preferiu não se envolver com a actividade musical desenvolvida por seus colegas combatentes Nhô Balta, Valdemar Lopes da Silva, Humbertona, entre outros.

Após a independência, em 1975, regressou a Cabo Verde, e com César Lima gravou seu primeiro CD “Chama Violeta”, que no seu entender “foi bem aceite apesar de ser uma produção caseira, pouco comercial” gravado em casa, na ilha de São Vicente, onde reside actualmente.

Arlinda Santos revelou que viveu numa casa de músicos onde se tocava muito. O pai, Manuel Santos “Manelin da Shell”, era colega de Jotamonte, e que muitos dos músicos como Luís Morais, Morgadinho e outros eram “meninos da nossa casa”, declarou.

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